A maioria das PMEs utiliza ferramentas de inteligência artificial sem questionar o que acontece nos bastidores. Em junho de 2026, a descoberta de um marcador oculto em IA no Claude Code veio mostrar que até as maiores empresas de tecnologia podem esconder mecanismos de monitorização. E tudo isto sem qualquer aviso aos utilizadores.
O que é e como funciona
O Claude Code é uma ferramenta da Anthropic que permite aos programadores interagir com modelos de IA directamente a partir da linha de comandos. Durante cerca de três meses, a partir da versão 2.1.91, o programa incluiu um mecanismo discreto: sempre que um utilizador fazia um pedido, o código binário alterava um único carácter no texto do sistema — o apóstrofo na data do dia. Em vez do apóstrofo normal (U+0027), o software inseria uma de quatro variantes visuais quase idênticas, dependendo do servidor para onde o pedido era encaminhado e do fuso horário do computador.
Imagine que envia um email e, sem saber, o programa troca um acento numa palavra. Para si, é invisível, mas para quem recebe, esse acento revela de que computador veio a mensagem. O Claude Code fazia exactamente isso: o apóstrofo funcionava como uma etiqueta escondida que permitia à Anthropic classificar a origem dos pedidos. Além disso, o binário continha uma lista codificada de 147 domínios e 11 palavras-chave de laboratórios, protegida por uma operação XOR com a chave 91 sobre base64. Quem usava a API oficial ou deixava o URL base vazio não era marcado.
O que diferencia das alternativas
Até agora, a maioria das ferramentas de IA recolhe dados de utilização de forma transparente, através de políticas de privacidade e consentimento explícito. O Claude Code fez o oposto: escondeu um mecanismo de identificação no próprio código binário, sem qualquer documentação ou aviso. Enquanto outras plataformas registam acessos para facturação ou melhoria do serviço, aqui o objectivo era monitorizar quem desviava os pedidos para gateways não oficiais — uma prática comum entre empresas que querem controlar custos ou integrar a IA em sistemas internos.
O problema não é a monitorização em si, mas a falta de transparência. Ferramentas como o ChatGPT ou o GitHub Copilot informam os utilizadores sobre a recolha de dados. O Claude Code, durante meses, não o fez. A descoberta foi feita por um programador independente, Thereallo, a 30 de junho de 2026, e só então a Anthropic admitiu o “experimento” e removeu o mecanismo no dia seguinte.
O que isto significa para PMEs portuguesas
Para uma PME portuguesa que utilize o Claude Code através de um gateway próprio — por exemplo, para pagar tokens de forma mais conveniente ou integrar a IA num sistema interno —, o marcador oculto representava um risco concreto. A empresa podia estar a ser classificada sem saber, e os seus dados de utilização podiam ser agregados de forma não transparente. Em casos extremos, como o da Alibaba, que baniu o Claude Code a 10 de julho, o acesso ao serviço pode ser bloqueado com base nessa classificação.
Além disso, o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) exige que as empresas saibam como os seus dados são tratados. Se uma ferramenta de IA esconde mecanismos de monitorização, a PME que a utiliza pode estar involuntariamente em incumprimento. Para garantir que a integração de IA na sua empresa é feita com segurança e transparência, uma consultoria especializada em inteligência artificial para PMEs pode ajudar a evitar estes riscos. E para compreender melhor as obrigações legais, consulte o nosso guia de RGPD e privacidade.
O erro que a maioria comete
A maioria das empresas assume que as ferramentas de IA são neutras e que o código aberto garante total visibilidade. Mas o caso do Claude Code mostra que mesmo software de grandes empresas pode conter mecanismos ocultos. Confiar cegamente sem auditoria é o erro mais comum. Muitas PMEs implementam soluções de IA sem verificar o que o software realmente faz em segundo plano, expondo-se a riscos de privacidade e conformidade.
Riscos e limitações
O marcador já foi removido, mas o episódio levantou questões de cibersegurança e privacidade que vão além deste caso. Para PMEs que dependem de IA para processos críticos, a falta de transparência pode resultar em perda de controlo sobre dados sensíveis. Além disso, a utilização de gateways não oficiais pode levar a bloqueios de serviço, como aconteceu com a Alibaba. A versão actual do Claude Code já não inclui este mecanismo, mas o caso serve de alerta: qualquer actualização futura pode reintroduzir funcionalidades ocultas sem aviso.
Veredito Descomplicar®
O caso do marcador oculto no Claude Code é um alerta para qualquer empresa que utilize IA sem supervisão. Vale a pena explorar soluções de IA open-source ou com auditoria independente, e garantir que os contratos com fornecedores incluem cláusulas de transparência. Para a maioria das PMEs portuguesas, o risco de exposição involuntária é real, mas evitável com as práticas certas. A lição principal é clara: em inteligência artificial, a confiança tem de ser verificada, não presumida.
Fonte: Dev.to IA

