A maioria das PMEs industriais ainda depende de combustíveis fósseis para alimentar a produção. Os custos energéticos disparam e a pegada de carbono cresce sem controlo. A Renova acaba de mostrar que há alternativa: inaugurou uma central de biomassa para descarbonizar a produção com biomassa no fabrico de lenços de papel. E o investimento pode ser mais acessível do que parece.
O que é a biomassa e como funciona na indústria
A biomassa é energia gerada a partir de matéria orgânica — resíduos florestais, agrícolas ou industriais. Em vez de queimar gás natural ou gasóleo, a fábrica utiliza estes resíduos para produzir calor e electricidade. No caso da Renova, a nova central substitui parte do consumo de combustíveis fósseis, reduzindo as emissões de CO2 e o custo energético a longo prazo.
Para uma PME, o princípio é o mesmo: pode instalar uma caldeira de biomassa para aquecer a nave industrial, gerar vapor para processos ou até produzir electricidade. A tecnologia está madura e os equipamentos são modulares, adaptando-se a necessidades de menor escala. O segredo está em garantir um fornecimento estável de resíduos — algo que muitas empresas do sector agroalimentar ou da madeira já têm disponível internamente.
O que diferencia esta abordagem de outras soluções energéticas
Até agora, a opção mais comum para reduzir a factura energética era instalar painéis solares. Mas a solar resolve apenas parte do problema: gera electricidade, não calor. Muitos processos industriais precisam de calor a alta temperatura, e aí a biomassa entra como alternativa directa ao gás. Além disso, a biomassa permite valorizar resíduos que, de outra forma, teriam um custo de eliminação.
Outra diferença está na previsibilidade dos custos. Enquanto o preço do gás oscila com a geopolítica, a biomassa depende de um mercado local de resíduos, muito mais estável. Para uma PME portuguesa, isto significa menos surpresas no orçamento e maior controlo sobre a margem operacional.
O que isto significa para PMEs portuguesas
A iniciativa da Renova não é um caso isolado. Cada vez mais empresas industriais em Portugal estão a avaliar a biomassa como parte da sua estratégia de descarbonização. Para uma PME com consumos térmicos relevantes — como uma cerâmica, uma conserveira ou uma lavandaria industrial — o retorno do investimento pode surgir em três a cinco anos, dependendo dos incentivos disponíveis.
Integrar uma fonte de energia renovável como a biomassa exige um planeamento estratégico sólido, algo que abordamos no nosso guia de planeamento estratégico para PMEs. Não basta comprar a caldeira: é preciso analisar o perfil de consumo, a logística dos resíduos e as licenças ambientais. Mas, feito com método, o ganho é duplo: redução de custos e antecipação às exigências regulatórias que aí vêm.
O erro que a maioria comete
A maioria das empresas tenta resolver o problema energético com uma única solução — painéis solares, por exemplo — e ignora o calor. Resultado: continuam dependentes do gás para os processos térmicos e a factura não desce como esperado. A descarbonização eficaz exige olhar para o consumo total de energia, não apenas para a electricidade.
Riscos e limitações
A biomassa não é para todos. Exige espaço para armazenar os resíduos, um contrato de fornecimento fiável e manutenção regular da caldeira. Para empresas com consumos térmicos muito baixos, o investimento pode não se justificar. Além disso, a queima de biomassa emite partículas, pelo que é obrigatório um sistema de filtragem adequado — algo que encarece o projecto inicial. Ainda não está pronto para quem procura uma solução “chave na mão” sem qualquer complexidade operacional.
Veredito Descomplicar®
Vale a pena explorar se a sua empresa tem consumos térmicos estáveis e acesso a resíduos de biomassa a baixo custo. O exemplo da Renova mostra que a tecnologia funciona e que os ganhos ambientais são reais. Mas não é um atalho: exige estudo prévio e acompanhamento técnico. Se precisa de apoio para avaliar a viabilidade de soluções energéticas na sua empresa, uma consultoria estratégica pode ajudar a traçar o caminho certo, evitando investimentos desajustados.
Fonte: Dinheiro Vivo
