

Consciente ou inconscientemente, buscamos a supressão das nossas necessidades mais básicas que dependem da nossa personalidade.
A nossa personalidade é influenciada por fatores sociais, psicológicos mas também biológicos.
Resumidamente, podemos dizer todos vimos equipados com 4 funções básicas: a mental, a intuitiva, a sensitiva e a emocional. A forma como estas funções evoluem e o modo como se conjugam é muito pessoal e particular em cada indivíduo, e determina a nossa personalidade. Cada tipo psicológico tem associadas necessidades específicas e a sua satisfação é bastante valorizada por nós. Por exemplo, as pessoas mais intuitivas valorizam o reconhecimento pessoal, as que são mentais apreciam a segurança e a estabilidade, as mais sensitivas estimam a aventura e a variedade e as pessoas emocionais valorizam mais as ligações aos outros e o afeto. A fonte principal dos nossos desejos está diretamente relacionada com essas necessidades.
Ora, como eu dizia no início, buscamos consciente ou inconscientemente a supressão das nossas necessidades.
Ao longo da vida, vamos desenvolvendo estratégias para fazer isso e aprendemos formas para conseguir esta satisfação que procuramos, criando modelos que acabam por se automatizar.
Quando o fazemos inconscientemente, acabamos por fazer as coisas sempre da mesma maneira e por isso caímos tantas vezes em ciclos que se repetem.
Por exemplo, uma criança que tem necessidade de afeto do pai pode vir a desenvolver na idade adulta um padrão de busca da satisfação dessa necessidade com indivíduos a quem atribui algumas características semelhantes ao progenitor. E, como o procedimento é automático, buscará sempre os mesmos padrões conduzindo os processos de forma similar, obtendo assim os mesmos resultados.
Como os processos são tão inconscientes e involuntários, criamos a ilusão de que se tentarmos outra vez, já vamos conseguir. Geramos a expectativa de que o caminho que conhecemos vai resultar na satisfação da necessidade que procuramos incessantemente. É possível que alguma vez tenha resultado e que seja isso que te leve a fazer sempre da mesma maneira e a gerar expectativas animadoras. É o caminho que conheces.
Repito que isto acontece de forma inconsciente.
A forma de ultrapassar estes ciclos é – conscientemente – provocar mudanças nos processos. Buscar voluntariamente situações diferentes, com pessoas diferentes, mas que tenham o potencial de satisfazer as mesmas necessidades. Com isto vais educar o teu inconsciente a quebrar os automatismos e a encontrar soluções fora da caixa.

Sim. O que não nos mata torna-nos mais fortes. Em princípio.
No oriente apreciam muito uma planta que é a flor de lótus que nasce em terrenos lamacentos. Sem lama não lá lótus.
Na verdade, a dor encerra em si mesma um enorme potencial de transformação, porque nos traz a motivação que muitas vezes precisamos para agir. O que nos motiva é simplesmente fugir da dor e buscar o prazer. Mas o peso da dor tem muito mais força.
Não escondo que tenho um grande apreço pela filosofia budista e ela começa precisamente com as 4 nobres verdades que no fundo são ensinamentos sobre a dor e a insatisfação que se transformam em sofrimento. E foi a partir dai que nasceu o budismo, como busca para a supressão da dor. Buda acreditava que a ausência de sofrimento resultaria em felicidade.
Mas para ser mais claro na resposta, a dor traz então um potencial de transformação, de crescimento pessoal, de evolução e isso torna-nos mais fortes porque nos obriga a mover e a mudar.
Acredito que a vida é um permanente ciclo de mudanças e de transformações que nos amadurece e é isso que nos torna mais fortes.
Ao ultrapassar a dor podemos perder os medos, desenvolver crenças potenciadoras e estratégias para ultrapassar o sofrimento, de modo tentar evitá-lo.
Esta imunidade ao sofrimento é um sinal de força e tem associada a capacidade de ser resiliente, ou seja, de ser resistente ao sofrimento.
Porém, a dor só tem esse potencial transformador se a enfrentarmos. Há pessoas que buscam incessantemente o prazer e que evitam a dor a todo o custo. Estas, quando confrontadas com situações dolorosas, paralisam e desistem – porque acreditam que não são capazes de a ultrapassar. E aí correm o risco de cair numa depressão, pelo menos enquanto a perceção da dor se mantiver ou durante o tempo necessário para tomar a decisão de a resolver e enfrentar.
Em resumo, sim, o que não nos mata torna-nos mais fortes. Recordo sempre uma frase da Virgínia Mello: “Venho de tantas tempestades que até perdi o medo da chuva”.
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